Pastor Santomense, detido na Costa do Marfim por denunciar Igreja Universal

O Pastor Iudumilo da Costa Veloso, de nacionalidade santomense, acusado e detido no dia 11 de Setembro do corrente ano alegadamente por maledicência a à Igreja Universal Reino de Deus na Costa do Marfim através de um perfil falso no facebook. A prisão foi a feita pela Polícia Judiciária do país.

Iudumilo Veloso que se encontrava numa missão religiosa em Costa do Marfim há 11 anos, hoje está de costas virada para a Igreja onde o viu crescer espiritualmente desde os seus 18 anos idade. No total, são vinte anos.

Pela sua devoção e entrega a Igreja, Iudumilo foi enviado a Costa do Marfim para servir e evangelizar com palavras de conforto e esperança aos fiéis. Contudo, o jovem pastor diz ter sido enganado. Não só ele como os costa-marfineses.

Segundo a família, Ludumilo cumpriu com o seu dever e jamais se apercebeu das irregularidades dentro da igreja e todos esses anos “foi fiel e entregou-se somente a Deus. Mas nos últimos quatro anos para cá, ele se apercebeu que certas coisas não batiam certo. E toda a ideologia que tanto seguia não passava de uma farsa. Tanto ele como os nativos da Costa Marfim. Era uma bolha de humilhações, maldades, racismo e miséria.

Ninguém aguentava mais aquilo. Então um grupo de fiéis confiavam nele, procuraram por ele e pediram ajuda. Porque outros que tentaram denunciar foram expulsos da igreja. E o que ele fez foi ajudar mostrando a verdade que todos precisavam ver” disseram.

Descontente, Iudumilo decidiu então denunciar, segundo ele ‘os absurdos’ dentro da igreja. Foi então que teve a ideia de criar um perfil no facebook denominado por Laurent Dier onde expunha tudo o que acontecia dentro da igreja. As coisas vistas e escritas pelo jovem eram ultrajantes a um fiel. Segundo a família, vivia-se num ninho de humilhações, maldade, miséria, racismo por parte dos superiores e a Igreja exigia que os pastores cortassem as veias que lhes permitisse ter filhos.

“Ele é casado e tem um filho. Quando descobriram que a sua esposa estava grávida do segundo filho, ficaram enfurecidos. Quando o Iudumilo foi detido, colocaram-no numa sala e a própria polícia não queria prendê-lo e disseram ao bispo Victor que tinham apenas 6 horas para retirar a queixa, mas ele e os outros não quiseram e negaram-lhe um advogado de defesa.

A própria ‘Igreja’ tirou-lhe e passaporte e os outros documentos. Ele foi detido numa quarta e julgado numa sexta.

A esposa do Iudumilo infelizmente de quase nada sabia e ela não tinha mais ninguém naquele país. Então ela foi obrigada pelos superiores da Igreja assinar um documento em que dizia o seu marido estava a ser expulso da igreja e que ela voltaria a São Tomé com uma quantia de 2 mil dólares. E ela claro assinou.


Só que no mesmo dia que assinou o documento, colocaram-na num avião de volta a São Tomé e ela tinha o passaporte caducado, não tinha autorização de viagem do pai da criança e estava e ainda está grávida. Tanto que no Gabão quase foi presa por tráfico de criança. Tudo isso é um absurdo.

Como podem pessoas que dizem do bem fazerem tal atrocidade? E até hoje ela não sabe onde ele está”.

Hoje, o perfil no facebook encontra-se sem informações e sob a tutela da polícia de Costa do Marfim.

Entretanto, o STP Digital procurou os responsáveis da Igreja Universal Reino de Deus em São Tomé que negaram as acusações e mostraram-se incrédulos com o ocorrido.

“É difícil acreditar no que está a acontecer.

O que aconteceu foi que o pastor Iudumilo criou um perfil no facebook a maldizer a Igreja, mas só que este perfil chegou ao conhecimento da Polícia Judiciária e então eles decidiram avançar com a investigação. A Igreja Universal na Costa do Marfim foi contactada mas ninguém sabia dizer o que se passava e de quem era aquele perfil. Ninguém sabia dizer quem era o Laurent Dier. Muito menos nós aqui em São Tomé. Mas a polícia pela sua astúcia descobriu o número de telefone, o correio electrónico e quem criou o perfil, então prenderam Iudumilo. Então, perguntaram os membros da Igreja na Costa do Marfim se queriam avançar com a acusação e eles disseram que não. E aqui em São Tomé só ficamos a saber de tudo quando ele foi detido. Então preferimos, nós a Igreja, tanto lá como aqui, perdoá-lo. Pois é o que fazemos. Perdoamos o Iudumilo. Então, como não avançamos com a acusação, ele foi preso e a Polícia Judiciária então entendeu que era um crime contra o estado. Por isso ele apanhou uma pena de um ano. Porque se avançássemos com a acusação ele pegaria de 5 aos 10 anos de prisão.

E para que conste, ele esteve aqui no ano passado para renovar o visto e se realmente não estava feliz por quê renovou o visto?” contrapôs um membro da Igreja Universal em São Tomé.

Porém, a família do jovem pastor diz que “nós entramos em contacto com a Policia Judiciária e eles disseram que só colocariam Iudumilo em liberdade se a própria Igreja retirasse a queixa”.

A família do jovem pastor está desolada e sedenta pela volta do Iudumilo. “ Foi entregue uma carta ao Ministérios dos Negócios Estrangeiros Cooperação e Comunidades de São Tomé e Príncipe e estamos a espera de uma resposta” desabafaram.

O STP Digital aguarda por mais informações.

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karlley.frota

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