A nova praga em São Tomé e Príncipe : Fake News

As “fake news” conhecidas como notícias falsas, desinformação ou informação propositadamente falsificada com fins impróprios estão a chegar à todas as sociedades. Agora, com consequências mais desastrosas dado o advento da tecnologia e o impacto do digital nas nossas vidas. Fazendo com que uma informação local e global estejam interligadas por um mero clique.  

Um clique que pode salvar vidas, mas facilmente também pode destruir, e, de forma irreparável. Eventualmente o leitor já escutou o provérbio: “A mentira corre mais que a verdade”. Uma notícia ou informação falsa tem por norma um alcance maior. Gera uma mobilização que já em algumas geografias provocaram graves consequências no mundo real. Na Índia, por exemplo, causaram a morte de 27 pessoas em dois meses.

Além de outras que foram alvos de linchamentos motivados por boatos proliferados nas redes sociais, trazendo consequências na vida familiar e na vida privada.

Ainda se lembram do caso da Janira Almada, presidente do Partido Africano para a Independência de Cabo Verde? E mais casos existem por este mundo fora, inclusive em São Tomé e Príncipe.

Algumas desinformações surgem com motivações bem concretas e objetivos muito bem definidos, interferindo negativamente em vários setores da nossa sociedade, como política, saúde e segurança.

As notícias falsas um impacto material, físico e emocional na vida dos cidadãos, o que exige que a nossa Justiça tenha maior celeridade para combater esses fenômenos, que têm crescido exponencialmente em São Tomé e Príncipe.

O último caso de que tive conhecimento,  envolve uma cidadã santomense, acusada de estar infectada com HIV/Sida e tendo contaminado um determinado parceiro, que alegadamente suicidou-se por este facto. Em virtude dessa  informação, deu-se uma partilha massiva de um determinado conteúdo que a acusava e assumia esta informação como verdade absoluta, juntamente com uma foto sua para identificação e exposição.

Escrevi em certa altura aqui no STP Digital, Redes Sociais : O poder ignorado pelo povo de São Tomé e Príncipe, mas numa perspectiva que fosse usado para criar e construir valor, fomentar a economia digital do nosso país,  principalmente porque é inegável o quanto as redes sociais influenciam as nossas vidas, bem como software de mensagens como o WhatsApp, Messenger entre outros.

No entanto, nós como utilizadores devemos ter prudência nas informações que partilhamos. A verificação dos factos é fundamental, criando um princípio de utilização das redes sociais de maneira consciente e responsável.

Além de ser uma obrigatoriedade de qualquer órgão de comunicação social, o cidadão comum também tem esse dever, porque a ânsia de publicar ou partilhar a informação em primeira mão, sem a confirmação dos factos,  pode levar-nos a uma situação que, depois, vem revelar-se que não era exatamente assim como tínhamos divulgado.

A santomense que mencionei acima, publicou posteriormente um vídeo no qual expõe um teste clínico da qual consta inclusive o seu nome, que alegadamente confirma não ter HIV/Sida. Todavia a possível mentira continua a circular, e nós sabemos que este vídeo não terá o mesmo alcance. Nem as pessoas que partilharam a primeira informação vão se dignar em atualizar o rumor, ou ter humildade e assumir que a sua informação eventualmente não correspondia a verdade.

E se a cidadã tivesse em São Tomé, e fosse alvo de um linchamento ou a famosa “justiça pelas próprias mãos” daqueles que a acusam? Seríamos todos culpados!

E seremos sempre culpados, enquanto  propagarmos boatos e reforçarmos um pensamento ou acontecimentos em que não tenha havido uma verificação concreta dos factos, e basearmo-nos em uma “história única” que se torna numa bola de neve de mentiras e de disseminação de ódio.

Uma disseminação que muitas das vezes começa com os perfis falsos, uma tendência que devemos repudiar. Porque qualquer tipo de informação falsa, por mais simples à mais descabida, induz as pessoas ao erro, a desinformação é uma ameaça real à democracia.

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