Experiência militar na nova gestão do Grupo HBD

O Grupo HBD já investiu mais de 80 milhões de euros na Região Autónoma do Príncipe. Proteger esta reserva mundial da biosfera e desenvolve-la de modo sustentável e responsável é a visão de negócio do grupo para a Ilha. A esta visão, a empresa adicionou a experiência militar de Buster Howes, o novo CEO do grupo. Nesta entrevista, Howes fala sobre o que já foi feito na ilha e sobre os projetos em carteira.

O novo CEO do Grupo HBD descreve a mudança para a Região Autónoma do Príncipe como profunda a todos os níveis. “Topograficamente, climaticamente, culturalmente e de todas as maneiras que possa imaginar. O Príncipe é mais virgem, distintamente bonito, é isolado e tem muitas qualidades hipnotizantes. Mas também tem os seus desafios e acho que muitas pessoas em São Tomé reconhecem isso”.

Recebeu o STP Digital no hotel do grupo na capital são-tomense, muito descontraído, deixando transparecer o espírito com que dirige a sua equipa: “Não importa quando faz o seu trabalho, desde que o faça”.

Antes de vir para trabalhar para o grupo HBD, Howes trabalhou 33 anos como Royal Marine em todo o mundo. A sua última missão foi em Washington DC. “Eu trabalhava como diplomata militar para a embaixada britânica lá. Voltei para casa para o Reino Unido por sete meses e depois vim para o Príncipe”.

Está a aprender a língua portuguesa, que diz ser difícil e uma coisa complicada de se fazer quando se está ocupado. O presidente executivo descreve os seus dias como longos. “Há muito o que fazer. Por isso, o meu dia-a-dia é um equilíbrio entre estar preso ao computador a ver e responder e-mails, fazer uma série de coisas complicadas, que pode imaginar, numa empresa grande, com escritório em Lisboa, com pessoas espalhadas pelas ilhas, orçamentos e finanças e pessoal”. Por isso para começar o dia com boa disposição para enfrentar os desafios do dia, Howes contou ao STP Digital que gosta de conectar se com o mar.

Confessa que é muito difícil fazer seja o que for no Príncipe por causa da logística. Demora cerca de 70 dias para o abastecimento chegar de Portugal. Acredita que a sua experiência militar está a ajudá-lo nesta nova missão. “Estou acostumado a planear coisas e, às vezes, em circunstâncias difíceis. Também estou acostumado a montar equipas de pessoas em locais isolados. Como já trabalhei em ambientes que, por vezes, têm um grande número de partes interessadas, diferentes nacionalidades e diferentes agrupamentos sejam elas ONGs, instituições de caridade, organizações governamentais, constitui uma mais valia para concretizar os desafios da HBD”.

Sobre o impacto desta mudança de equipa na empresa, nomeadamente, o CEO, Howes disse que em conjunto, estão a traçar estratégias para que vejam claramente onde querem estar nos próximos 5 anos. “Fomos muito assertivos ao priorizar a construção das novas unidades hoteleiras que temos em vista, foco no turismo sustentável e também na silvicultura. 65% da população do Príncipe obtém o seu sustento através da terra e nós temos 1700 hectares de concessão de terras e temos que conceber como tornar estas terras mais produtivas”.

Howes frisou que a companhia tem duas vertentes: a comercial, que assenta no desenvolvimento sustentável (construção de aeródromos, construção e reabilitação de estradas, abastecimento de energia, reabilitação de roças, aposta na cultura do cacau, café, banana, papaia e construção de eco lodges); e a social, que consiste em proteger a biosfera. “Tudo o que fazemos é no intuito de protegermos a biosfera! Este ano conseguimos proteger 1.750 ninhos de tartarugas. No ano passado, protegemos 370. Nós temos dois barcos, que patrulham o mar, temos mais pessoas a patrulhar as praias, e estamos a envidar esforços para a regeneração da floresta e proteção de espécies endémicas. Acabamos de recrutar duas especialistas internacionais de flora e fauna e firmamos uma parceria com a Sociedade Zoológica de Londres. Estamos a fazer de tudo para alcançar maiores resultados”.

Até então a maior parte do investimento da empresa foi canalizado para infra-estruturas como o aeroporto regional, que agora constitui um grande trunfo para a ilha. Howes disse que agora é preciso incentivar voos diretos da África continental para aumentar o acesso e melhorar a viabilidade económica da ilha de forma sustentável.

Howes anunciou que no primeiro ou segundo trimestre do próximo ano a Praia Sundy Resort deverá abrir as portas como uma unidade hoteleira de 5 estrelas. “Estamos a investir muito dinheiro na Praia Sundy Resort e é um lugar onde é difícil construir”.

O novo CEO do grupo HBD disse que tem esperança de continuar a desenvolver os projetos que a empresa tem nas Roças Sundy e Paciência. “Temos feito progressos significativos ao longo dos últimos 4/5 meses na reabilitação de partes de Sundy, começamos a recuperar uma grande parte da antiga locomotiva industrial de motor a vapor, reabilitamos o antigo secador para processar mais eficazmente o cacau, acabamos de reconstruir 2,5 quilómetros da estrada de para torná-lo mais acessível e mais seguro e vamos continuar a investir nas infra-estruturas da ilha”.

Howes, muito entusiasmado, disse ainda que uma das suas prioridades é conseguir um mecanismo para levar água às escolas da região. “A União Europeia fez uma doação este ano para São Tomé e Príncipe de cerca de 28 milhões de euros para melhorar o abastecimento de água potável. São vinte e oito escolas para atender mais de 4000 crianças no Príncipe, que não têm água ou saneamento”.

Acrescentou ainda que a empresa quer dar o seu contributo em projetos de ação social para aumentar os cuidados com a saúde e reduzir a violência doméstica.

Muitos visitam e apaixonam-se por São Tomé e Príncipe, mas poucos são os que resistem a todos os obstáculos e ficam. O empresário sul-africano, Mark Shuttleworth, proprietário do grupo HBD, perdeu-se de amores pela ilha do Príncipe e decidiu apostar nesta em 2011.

Escrito por
Katya Aragão

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