Delícia das Ilhas para o Mundo

Delícia Loloum nasceu no dia 12 de Julho de 1983, em São Tomé, no dia em que a então jovem nação São Tomé e Príncipe completava 7 anos de independência. Formou-se em Gestão de Empresas no antigo Instituto Superior Politécnico (ISP), actual Universidade de São Tomé e Príncipe (USTP).

À primeira vista Delícia é uma mulher tímida. Todavia bastam apenas alguns minutos de conversa com ela para perceber que se está perante uma mulher forte, dinâmica, batalhadora e sem papas na língua.

O seu primeiro emprego foi na Santa Casa da Misericórdia em 2005, onde trabalhou como assistente do Coordenador e ganhou experiência em gestão. Em 2010 aceitou o desafio de trabalhar com a Quá Téla, onde ficou apenas um ano.

Há seis anos fundou com o marido, Bastien Loloum, a empresa Zunta Ba Wê Lda, que para além de transformação de produtos presta também serviços de consultoria. Delicias das Ilhas é uma microempresa familiar são-tomense, criada em 2009, que se dedica a confecção e comercialização de produtos locais transformados a partir dos melhores produtos agrícolas das ilhas de São Tomé e Príncipe.

Delícia conta que começou a trabalhar com a transformação de produtos em 2005 na Santa Casa da Misericórdia dentro do projecto Ossobô. Depois quando abriu o seu próprio negocio foi aperfeiçoando as técnicas e aumentando a variedade de produtos.

A fábrica, que Delícia prefere chamar – atelier -, localiza-se no bairro Dolores na capital são-tomense. Com uma equipa composta por 5 pessoas, é lá que os produtos frescos são processados e onde têm secadores solares de frutos e folhas, bem como uma cozinha equipada para a transformação de produtos alimentares.

A matéria prima vão buscar à plantação de cerca de 3,5 hectares na Roça Vanhá, mas também compram alguns produtos de outros agricultores de São Tomé e da Região Autónoma do Príncipe.

A Delícias das Ilhas produz doces (de ananás com banana, ananás com gengibre, papaia com canela, jaca em pedaços, concentrado (mel) de jaca, manga, goiabada da terra, carambola, cajá-manga e banana prata), aguardentes (cana de açúcar, micócó, gengibre, chalela, canela, baunilha, mosquito, jaca, ananás, pitanga, cajá-manga, carambola) e frutos secos (banana, ananás e jaca).

Para os apreciadores de chá, a marca também produz caixas de 10 saquinhos individuais em fibra vegetal de bananeira, sem cloro nem cola, com folhas utilizadas tradicionalmente pelos são-tomenses há séculos: folha de chalela (chá príncipe), folha de micócó, folha de goiabeira, folha de abacateiro, folha de caneleira e folha de sap-sapeiro.

Outros produtos muito populares são a baunilha, a canela em casca e em pó, folha de micócó, flor de mosquito, piri-piri “Boca do inferno”, pimenta d’obô, chips de matabala, banana pão e fruta pão.

Uma das últimas apostas da marca é o sabonete artesanal. Fabricam os sabonetes com 100% de óleo de côco, acrescentando aditivos naturais como a micócó, folha ponto, aloe vera, urucum, abacate, canela etc.

O óleo de côco que utilizam para fabricar o sabonete é comprado a um outro transformador. “É feito a partir da copra, ou seja, do côco seco no secador a lenha. Por isso, é utilizado sobretudo para fins cosméticos, para tratar e enriquecer a pele e o cabelo”- esclareceu Delícia. Também compram azeite de palma e vendem o azeite simples ou aromatizado com condimentos do Calulú, um dos nossos pratos tradicionais.

Delícia disse ao STP Digital que cada vez mais recebe mais encomendas e que os produtos mais procurados são os frutos secos, nomeadamente a banana seca, muito apreciada por todos.

Um dos grandes custos que têm é com as embalagens próprias para cada produto. A empresária disse que tem de importar embalagens de França, Portugal e da Índia, visto que o nosso país não produz.

A transformação de produtos é definitivamente uma grande aposta da empresa, sendo que em 2012, quando ainda trabalhavam numa cozinha e ainda não tinham o atelier, o volume de vendas era de 7.000€. Em 2014 o volume cresceu até aos 27.000€. “E continua a crescer, graças aos pequenos investimentos que fizemos no atelier, novas máquinas que adquirimos e ao recrutamento de novos funcionários.” – disse a empresária.

Delícia acrescentou ainda que tem o projecto de construir uma fábrica de raiz, que observe todas as normas internacionais, de modo a obter uma certificação internacional que lhe permita escoar os produtos para a Europa e América bem como instalações que lhe permitam recrutar mais trabalhadores e consequentemente, aumentar a produção.

A mãe de um casal de filhos disse ainda que gostaria que houvesse um maior apoio do Estado para as pequenas empresas como a sua, que apesar de não terem incentivos nenhuns conseguem remar contra a maré e crescer.

Hoje em dia é possível encontrar Delícias das Ilhas em várias lojas da cidade de São Tomé, na recepção dos melhores hotéis do país e claro também é possível encomendar com os próprios produtores. Também já é possível encontrar os produtos Delícias das Ilhas no Gabão e em Cabo Verde.

Entrevistada pela
Katya Aragão

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