CNJ fomenta discussão sobre a Construção da Identidade Africana

Realizou-se ontem uma palestra subordinada ao tema “A Construção da Identidade Africana” organizada pelo Conselho Nacional da Juventude em parceria com o Instituto da Juventude.

A oradora do certame, Daena Neto, que é Mestre em Desenvolvimento Económico e Social em África, defendeu a valorização de tudo o que é africano, frisando que não existe uma definição específica para a identidade africana. No ponto de vista, da oradora, os hábitos de convivência, a natural vontade de ajudar o parente, o tratamento que temos com os nossos familiares constituem características da identidade africana.

Daena Neto tocou ainda no ponto muito sensível durante a sua abordagem: as origens da “vergonha” de ser africano/santomense ou indo mais longe, de ser negro. Uma vergonha que disse que está relacionada com o nosso passado de escravatura. “Os Africanos eram tratados como animais”, afirmou a oradora. Referiu ainda a sombra que existe sobre a palavra negra em si: “tudo o que é mau é negro”.

A própria oradora é um espelho da beleza natural africana. Utiliza o seu cabelo de um modo muito africano. Daena Costa, que trabalha no Ministério dos Negócios Estrangeiros, partilhou que várias vezes é abordada por pessoas aparentemente esclarecidas sobre o seu cabelo. Perguntam-lhe se a deixar trabalhar com os carapitos ou com o cabelo crespo.

Um dos participantes da palestra, Gilson Leite, disse que as condições sócio-económicas constituem um grande factor de vergonha para muitos santomenses. Daí que o santomense tenha vergonha de se assumir como santomense. Ainda existe um grande preconceito em relação ao cabelo e também em relação as nossas línguas, segundo muitos participantes da palestra.

Os participantes apontaram ainda outros ponto de reflexão como a falta de santomensidade, a perda de valores, a falta de respeito, a globalização, etc.

Na sua intervenção, Daena Neto, referiu ainda figuras e movimentos importantes na história da emancipação dos negros e dos africanos: Malcom X, Martin Luther King, Pana africanismo e Negritude (mais a nível literário).

A Oradora acrescentou ainda que os jovens santomenses estão a ficar cada vez mais individualistas, uma característica ocidental. E incitou os convidados a reflectirem sobre as seguintes questões: “Sou africano por causa da minha cor? Sou africano por causa da minha maneira de estar, por causa dos meus hábitos? Sou africano ou apenas santomense? Identifico-me como africano?

O Presidente do Conselho Nacional da Juventude, Wildiley Barroca, disse que a responsabilidade do resgate daquilo que é nosso é colectiva. E que se deve criar novas tendências para a salvaguarda da nossa identidade. “Os africanos precisam de se libertar dos preconceitos, conformismo e complexo de inferioridade e ter mais auto-estima”- acrescentou o líder juvenil.

Desta palestra saiu uma grande conclusão: que é urgente que se aproveite as nossas bibliotecas humanas.

Escrito por
Katya Aragão

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