“STP já conheceu dias melhores no que toca a segurança pública” afirma Amawry Ramos

O governo são-tomense acaba de anunciar a construção de uma prisão de alta segurança na Roça D. Amélia a mais de 40 km da capital e numa área de difícil acesso. O futuro estabelecimento prisional está a ser concebido para criminosos muito perigosos, que tenham cometido crimes de pedofilia, assassinato e branqueamento de capitais. Um claro sinal de que a Segurança é uma das principais preocupações do país neste momento.

O empresário Amawry Nobre dos Ramos considera que vários fatores contribuíram para que a segurança de uma forma em geral deixasse de ser uma preocupação específica de um país. A sua abordagem passou a ser feita de uma forma global: Terrorismo, Criminalidade Organizada, Crimes Financeiros, Poluição ambiental, entre outros.

No caso de São Tomé e Príncipe, o empresário disse que o país já conheceu dias melhores no que toca a segurança pública. Os diversos relatos de assaltos e violações comprovam esse facto. “Com a agravante de testemunharmos, constantemente, alguma passividade das autoridades policiais em agir para fazer face a situação e reporem a ordem e a segurança pública.” – Acrescentou.

Segundo as Instituições vocacionadas para o efeito, factores de várias ordens concorrem para que essa dificuldade seja tão acentuada: desde a falta de efetivos e meios rolantes e de comunicação, até a falta de cooperação e troca de informações entre estas.

Amawry Nobre dos Ramos nasceu em 1980, no distrito de Lobata. É um dos mais jovens empreendedores de São Tomé e Príncipe e um exemplo do dinamismo da juventude santomense. Para além da sua carreira diplomática, é também empresário.

Investiu numa empresa de segurança privada há 7 anos e tem sido um sucesso desde então. Inicialmente decidiu enveredar por esta área porque lhe pareceu uma boa área para garantir a sua sobrevivência enquanto estudante. “Estava a terminar a minha licenciatura, concluindo algumas cadeiras em atraso e precisava trabalhar para fazer face as minhas despesas correntes, tendo em conta que nunca fui beneficiado com uma bolsa de estudos”.

Com a experiência que ganhou enquanto segurança, decidiu criar a sua própria empresa de segurança privada quando regressou a São Tomé.

A Segurança Privada tem ganho cada vez mais espaço em São Tomé e Príncipe e tem sido um complemento das forças policiais. De acordo a Amawry Nobre dos Ramos, os vigilantes têm um papel activo na protecção de bens privados e públicos, embora os mesmos não disponham (por não ser permitido por Lei) das mesmas atribuições /competências ou acessórios que têm os agentes policiais: algemas, bastões, armas de fogo, etc. Face ao exposto e como forma de salvaguardar os seus pertences (móveis e imóveis), tem-se verificado um aumento efectivo de pessoas que recorrem às empresas de Segurança Privada e recrutam os seus serviços.

Quando se fala de Segurança, todo o cuidado é pouco. O empresário aconselha a tomar algumas medidas quando pretende ausentar se por muito tempo da sua residência. “São pequenos truques que podem fazer toda a diferença:

– Deixar a luz da sala acesa ou a TV/rádio ligado com o som perfeitamente audível;

– Evitar ao máximo ausentar-se por muito tempo em viatura particular, ou seja, se pretender ir a uma festa, deixe o seu carro bem visível (dentro ou fora do quintal);

– Em último caso, pedir alguém da família ou uma pessoa de extrema confiança e disponível, que nos substitua enquanto nos ausentamos.”

E quando se está em casa, nomeadamente à noite, como reforçar a segurança para impedir que mesmo que os invasores consigam ter acesso ao quintal, não consigam entrar em casa? Segundo Amawry Nobre dos Ramos, o primeiro passo é confirmar antes de entrar em casa, que se trancou bem o portão. “Além disso, alguns detalhes devem de igual modo constituir a nossa preocupação, tais como:

1 – Instalação de um dispositivo de Segurança Eletrónica, nomeadamente, o SISTEMA DE ALARME DE INTRUSÃO ou o chamado CIRCUITO CENTRAL DE TELEVISÃO E VÍDEO (CCTV);

2 – Ter um cão ou colocar uma Placa de Aviso do tipo “CUIDADO COM O CÃO”;

3 – Não deixar nunca que o potencial invasor se aperceba que vivemos sozinho(a)s;” – adicionou o empresário.

Normalmente os delinquentes têm por hábito fazer um estudo prévio da residência que pretendem assaltar e são sempre motivados ou desencorajados em função desses detalhes.

Caso se aperceba que a sua casa está a ser invadida, deve primeiro tentar perceber de onde vem o barulho. Se o barulho vem da parte de fora da casa, deve permanecer no interior da mesma, acender as luzes e ligar para o Comando Geral da Polícia Nacional, através do número de emergência 113, descrevendo a situação em voz alta, para que o invasor coloque-se de imediato em fuga. Caso o agressor já se encontre no interior da residência, o procedimento correto é trancar a porta do compartimento onde se encontra e telefonar para a Polícia em tom de voz mais baixo.

O empresário deixou ainda um alerta para a necessidade de criação de meios e mecanismos que permitam travar a crescente onda de criminalidade no país. Frisou que as autoridades policiais precisam rapidamente de aumentar o seu número de efectivos, capacita-los e muni-los de instrumentos que lhes permitam estar um passo a frente dos delinquentes e criminosos.

Por outro lado, ressaltou a necessidade de revisão da Lei que regulamenta a actividade da Segurança Privada, relativamente ao alargamento das atribuições de competências das empresas de Vigilantes/Seguranças no uso de alguns instrumentos de persuasão como algemas e bastões.

Escrito por
Katya Aragão

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