Cooperação Portuguesa é um dos maiores suportes da estrutura social em STP

Foto: Presidência da República Portuguesa

Segundo Nuno Vaz, adido para a Cooperação Portuguesa desde 2007, a “Educação e Saúde são as áreas mais fortes na ajuda ao desenvolvimento prestada pelo governo português a São Tomé e Príncipe. Ainda em Novembro último, os ministros dos Negócios Estrangeiros dos dois países assinaram em Lisboa um pacote de apoios no montante de 43,5 milhões de euros, que dão corpo ao novo Programa Indicativo de Cooperação (PIC), válido para o quadriénio 2012-2015.

Nuno Vaz diz que é “ um acordo que dá continuidade ao anterior a nível de saúde, educação e acção social. Estes são os eixos principais contra a pobreza”, explica o adido, salientando que “Portugal é o principal doador em São Tomé e Príncipe”. Na sua perspectiva, “São Tomé e Príncipe não quer que Portugal saia do país. Sentem-se mais à vontade em manter uma relação com Portugal.”

È através do Instituto Marques de Valle Flor (IMVF), uma Organização Não Governamental para o Desenvolvimento (ONGD) que se efectiva boa parte da cooperação na área da educação. Uma parceria com o Ministério da Educação, Cultura e Formação de São Tomé e Príncipe que vem desenvolvendo desde 2009.

Com vista à melhoria e aumento do acesso ao ensino secundário, o IMVF identificou 5 eixos complementares nos quais, acredita ser relevante continuar a intervir. São eles: parque escolar, desempenho dos professores, ensino técnico-profissional, ensino recorrente e capacidade de gestão e acompanhamento dos serviços centrais do Ministérios da educação.

“Nós melhorámos bastante. Houve uma reforma do ensino muito recentemente, com a reforma dos manuais e o alargamento da escolaridade obrigatória até à 6ª classe”, afirma a porta-vos do gabinete do Ministério da Educação. A mesma fonte garante que a cooperação portuguesa “ tem servido para uma evolução muito significativa nopais, quer na formação de professores e orientadores, quer na elaboração de sebentas e materiais”. E conclui: “Talvez sem a cooperação não iríamos conseguir as coisas com tanta facilidade”.

No país trabalham quinze professores em colaboração com o “Escola +”, um dos programas de intervenção do IMVF. Madalena Cardoso é uma delas, professora de matemática há 29 anos em São Tomé e Príncipe. “O salto qualitativo, digamos assim, em termos do impacto real, que se notou, foi a partir da implementação da revisão curricular, com o projeto “Escola +”. E será que houve mudanças significativas desde 1975? “Nessa altura não havia quase nada em São Tomé. Era uma altura difícil”, acrescentando contudo que ainda hoje “os alunos têm textos de apoio, não têm manuais”. Uma evolução, mesmo assim. “Não é exatamente a mesma coisa que um manual, mas já é uma diferença fundamental porque, durante muitos anos, o que nós tínhamos nas aulas era quadro e giz, não havia materiais nenhuns, não havia mais nada.”

Também na saúde se destaca a intervenção do Instituto Marquês Vale Flor. Edgar Neves, o representante do projeto em São Tomé e Principe, “Saúde para todos” que engloba coisas tão básicas como a descentralização da segurança alimentar e nutricional ou a colocação de água potável em certos locais da ilha. Através de financiamento da Comissão Europeia a organização continua a lutar contra as doenças transmissíveis. “De certa forma, isto já é um começo mas ainda há muita coisa a ser feita” ressalva o representante do IMVF.

Devido à falta de recursos humanos e materiais, “os doentes mais graves têm de ser colocados num centro com maiores recursos e, normalmente, são evacuados para Portugal.” É de salientar, que há 3 anos atrás, foi introduzida “uma ferramenta importantíssima”, a telemedicina, o que permitiu um acompanhamento e orientação mais especializada. Segundo o diretor, ao todo são vinte as especialidades que este projeto agrega, contando com o apoio não só de médicos e como também de enfermeiros e técnicos especialistas.

Para lá dos laços históricos e culturais, a cooperação portuguesa é ainda hoje um dos suportes da estrutura social em São Tomé e Príncipe. O antigo primeiro-ministro Leonal D’Alva entende mesmo que ela se manteria mesmo na eventualidade de desaparecerem as actuais dificuldades económicas. “Se São Tomé tivesse muito dinheiro haveria, na mesma, a necessidade de uma cooperação com Portugal. Os portugueses estiveram cá mais de duzentos anos e não estou a ver a possibilidade de não haver cooperação, tinha de continuar”. Diferente é a perspectiva de Filinto Alegre. Para o antigo activista do MLSTP, “se nas soubéssemos o que queremos e houvesse um mínimo de entendimento, não precisávamos de cooperações. Esta gente que manda nisto não tem ideias nem tem conhecimentos”.

Catarina Oliveira

Observação: Este artigo está enquadrado numa serie de reportagem que será publicado nos próximos dias, enquadrado no programa de formação jornalística “Beyond Your World”, que é financiado pela Comissão Europeia e pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros dos Países Baixos.

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