“Não pergunte o que teu país pode fazer por você, faça o inverso”


Ângelo Torres é natural de São Tomé e Príncipe, formado em Engenharia Termodinâmica em Cuba, formação da qual pelas “travessuras” do destino não exerceu, muito menos serviu de sustentação/identificação da sua pessoa no mercado profissional, quiseram os astros que seu caminho fosse outro, a representação, uma paixão que floriu e deu essência ao que o mesmo é hoje, um ator que tem desenvolvido uma excelente carreira ao nível internacional com uma paixão notável tanto no em representação como também enquanto contador de histórias, uma outra faceta.

Desde que estreou-se como ator de Teatro em 1991, com a “Missão” de Heine Müller, encenação de Luís Miguel Cintra, nunca mais findou tendo agora uma extensa filmografia.

A STPDigital quis saber mais sobre o percurso deste ator, que com singela simpatia acolheu as nossas inquietações, interpelado sobre como foi a transição de um Engenheiro Termodinâmico para actor “Foi uma coincidência feliz, de que tem muito culpa foi o Quintero Aguiar “Quinzinho” que começou um pouco a brincar e acabou se tornando serio. Um dia o Quinzinho desafio-me a participar numa peça de teatro, que era uma versão da famosa peça dos anos 70 em S. Tomé, “Camarada morto”, depois da peça fomos ao Bairro Alto comemorar, estávamos num bar o “Estádio” quando apareceu o João Grosso um ator português, ao qual eu admiro muito, e informou-nos que estavam a procura de atores negros, pretos, como se preferir para uma serie na Tv. “Café de Ambriz”. Fui e gostei da experiência. Depois fiz o curso de Artes do Chapitô.”, Em risos sublinha “Hoje acho que se perdeu um péssimo engenheiro termodinâmico e ganhou-se um ator “balelado””.

Ângelo Torres recebeu em Lisboa no mês transacto o VI Prémio de Atores de Cinema Fundação GDA como Melhor Ator Secundário pela sua interpretação no filme “Estrada de Palha”, de Rodrigo Areias, embora que o mesmo já tinha recebido em 2011 no Festival de Cinema Português em Coimbra um prémio na mesma categoria “Este premio é especial visto ser outorgado por atores colegas meus e admirados por mim. E de qualquer forma é sempre bom receber prémios, significa que as pessoas estão atentas ao teu trabalho”, questionado sobre uma provável simbologia que este prémio poderia auferir mencionou “por outro lado, este premio para mim é diferente. Pelo fato de ter falado em crioulo forro, saber que a língua que utilizei, depois da estranheza inicial, foi reconhecida como factor para receber um prémio. Portanto falou-se muito sobre o crioulo forro de S. Tomé.”

Embora a agenda e serviços contratuais com prazos rigorosos por cumprir, como o filho prodigo, também Ângelo Torres ambiciona regressar ao manto do solo sagrado, tendo em mente ideias inovadoras e o desejo de fecunda-las, no intuito de proporcionar partilhas de experiências e aprendizagens mutuas com os conterrâneos, dinamizando assim o sector que ao seu ver carece de urgente intervenção, nomeadamente o cinema, “Tenho vários projectos em mente para São Tome e Príncipe, nomeadamente no âmbito de cinema. Outra área que comecei também a desenvolver é como realizador. No âmbito teatral tive uma conversa muito interessante e animadora com o Sr. Aires Major a quando do festival de teatro de “Elinga Teatro” em Luanda. Lançou-se uma semente que corresponde a minha pessoa cuidar, regar e tratar para que ela floresça e dê frutos”, como quem recorda inconscientemente a celebre frase de John Keneddy, Ângelo Torres afirma “Como não quero estar a espera por um convite de meu país, por isso é meu país, não tem que convidar-me. Sou eu que tenho de ir e dizer cheguei e vim fazer isto, estou a empenhar-me para que após de essa avalanche de compromissos passar, certamente parar de sonhar e ir para São Tomé e Príncipe, passar uma temporada para escutar e conhecer e partilhar com os grupos de teatro locais existentes no pais e ver como me posso encaixar e fazer algo”. E deixa uma promessa ” Falado leva o vento. Escrito fica o compromisso. Não esta selado, mas fica. Por isso fica aqui escrito o meu compromisso de ir a STP para colaborar no que tiver ao meu alcance com o Ministério da Educação e Cultura, nomeadamente Direcção Geral de Cultura”

Escrito por
Mário Lopes

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