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A segunda semana de actividades da Associação Cultural Pantalassa em São Tomé findou ontem, sábado, com a participação de Joana Guerra em mais um episódio paralelo ao programa do projecto ‘Portugal Contemporâneo Com São Tomé e Príncipe’. Ao fim da tarde, na prova de vinhos da marca portuguesa ‘Esporão’ realizada na CACAU, a música de Joana Guerra pontuou o evento em representação da Pantalassa. De manhã, a oficina de Música Improvisada juntou, uma vez mais, no palco da CACAU, os músicos de Tapete (Joana Guerra, António Ramos, Bernardo Álvares e Jorge Nunes) e os três dançarinos do grupo local de kuduro ‘FBI’, em verdadeira comunhão rítmica. A cadência dos dias, quentes e longos, foi veloz, multiplicando-se oficinas e actividades extra. Entre uns e outros, a Pantalassa seleccionou alguns momentos, considerados emblemáticos da semana que antecede a apresentação final da residência, reagendada para o próximo dia 27 de Fevereiro, na CACAU. Na passada segunda-feira, a oficina ‘Folia de Reis’, reuniu quarenta alunos de uma das maiores escolas do país num bloco percussivo resultante da construção de instrumentos e máscaras a partir de materiais considerados inúteis. Sob a batuta de Franklin Soares e Mariana Marques, o conteúdo da oficina pretende aproximar-se da manifestação cultural de raízes pagãs da Península Ibérica do séc. XVI, mais tarde influenciada pela cultura africana e indígena no Brasil, que dá nome à actividade. A acção repetiu-se na sexta-feira, desta feita na praia e protagonizada pelos alunos do Liceu Nacional de São Tomé. Na terça-feira, a oficina de Áudio-Livros ‘viajou’ até Santa Catarina, no sudoeste do país. Acompanhado do núcleo de participantes da oficina centralizada na CACAU, com o intuito de apresentar o material já produzido, Jorge Nunes visitou seis turmas do 1º e 2º ciclos, alunos que muito dificilmente teriam oportunidade de contactar com a oficina, seus intervenientes e produtos. No mesmo dia, à mesma hora mas na CACAU, o workshop de capacitação em Arte-Educação dirigiu-se a cinco professores de física e química santomenses e a um professor cooperante, num debate muito participado e que comprovou a plasticidade do tema do workshop e seus impactos. Num país dotado de um único laboratório escolar, o propósito veiculado no workshop (que constitui, aliás, o seu leitmotiv) passou por assumir a necessidade de criação de alternativas para ultrapassar as dificuldades e produzir resultados práticos positivos. Ministrada por Franklin Soares, cidadão brasileiro que vive em Portugal, a acção foi, também, rica em comparações geopolíticas e culturais. Na sexta-feira, e segundo a mesma ordem de ideias, foram trinta os professores do Liceu Nacional e outras entidades de ensino que participaram na capacitação, entre santomenses e portugueses cooperantes das áreas de Formação Cívica, Educação Visual e História. Ainda na terça-feira, a oficina de Poesia ‘Slam São Tomé’ no Instituto Superior Politécnico seleccionou seis alunos da Licenciatura em Língua Portuguesa para a final do próximo dia 26 de Fevereiro, a realizar no Centro Cultural Português. A eles, juntar-se-ão vinte e dois alunos do 9º ano do Instituto Diocesano de Formação e seis alunos do 11º ano do Liceu Nacional, numa sessão que pretende apresentar os resultados da oficina em formato concurso. Na sexta-feira, o ensaio geral conduzido por Raquel Lima na CACAU fez adivinhar o sucesso do evento final, dado o entusiasmo demonstrado pelos potenciais ‘poetas’. Quarta-feira foi outro dia especial. Começou com mais um ponto de situação da residência na Rádio Nacional de São Tomé e Príncipe, pela produtora Filipa Batista acompanhada, desta vez, pela artista colaboradora Ana Fradique e por Eduardo Malé, artista plástico, curador da Bienal de São Tomé e Príncipe e professor, em representação da CACAU. A finalizar a semana, foi o contrabaixista Bernardo Álvares quem teve a palavra. À tarde, o atelier de Artes Plásticas na Escola Básica D. Maria de Jesus constituiu o ponto alto do dia, com cinquenta e duas crianças envolvidas numa ocasião que contou, também, com a presença dos músicos de Tapete e a cobertura da RTP África. O objectivo da actividade versou sobre a construção do cenário do espectáculo final de Joana Guerra. As crianças participaram na elaboração da estrutura móbil de pássaros de papel pintados e montados pelos mais pequenos, em alusão ao título do álbum da artista, ‘Gralha’. A simbiose entre a dinamizadora do atelier Mariana Marques, a música e o entusiasmo das crianças foi total. Espaço ainda para mencionar a participação dos Tapete em mais uma edição do ‘Palco Aberto’ da CACAU e no concerto de lançamento do álbum ‘Stop’ do artista congolês Yannick Delass no Centro Cultural Brasileiro, na passada quinta-feira, com casa cheia. Filipa Baptista |







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