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Mário Neves jovem estudante são-tomense, promove há dois anos o estreitamento de laços entre os povos africanos residentes em Portugal. Para tal, organiza espectáculos em discotecas com músicos oriundos dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), direccionado essencialmente para a comunidade africana em terras lusas, embora tais eventos contem com a adesão também dos portugueses e de pessoas de outras paragens. Diz que o faz por acreditar que tal minimiza o choque cultural e leva as pessoas a amenizarem a azáfama que é a vida em Portugal causadora muitas vezes de stresse. O Reporterstp.info foi conhecer este jovem de 23 anos, licenciado em gestão de empresas e perceber os objectivos que o nortearam na criação desta iniciativa. Reporter STP: Há quanto tempo estás em Portugal? Mário Neves: Estou em Portugal há quatro anos. Reporter STP: Fala-nos da tua vinda para cá. Mário Neves: Não foi nada fácil. Após a conclusão do 12º ano estive um tempo à espera de uma bolsa de estudos, a verdade é que ainda a aguardo, pois não tive nenhum feed back. Graças a Deus os meus pais têm conseguido custear todas as despesas académicas, incluindo do meu mestrado. Reporter STP: Que curso fizeste? Mário Neves: Terminei a licenciatura em Gestão de Empresas em Coimbra e agora estou a concluir o mestrado em economia, cá em Lisboa. Reporter STP: Sei que para além dos estudos, desenvolves outras actividades… Mário Neves: Sim, tenho desenvolvido um projecto de produção e realização de eventos do qual muito me orgulho. Reporter STP: Como surgiu-te esta ideia? Mário Neves: Na verdade começou de forma involuntária em Coimbra, pois senti necessidade de estreitar os laços afectivos entre os povos da comunidade africana, nomeadamente com os PALOP existentes em Coimbra. Daí que pensei, nada melhor que criar um espaço de comunicação, de interacção cultural para criar uma homogeneização daquilo que é a comunidade africana residente em Portugal. Reporter STP: E qual foi o veículo encontrado para lá chegar? Mário Neves: Decidi focar-me nomeadamente no mundo dos espectáculos, em particular nos músicos e cantores dos PALOP com algum renome. Falo por exemplo de artistas como Denis Graça, Lony Jhonson, Gilito, Gil Semedo, Rick Boy, Beto Dias dentre outros. Reporter STP: Bem vejo que tens uma carteira de contactos bastante interessante, como os conseguiste? Mário Neves: Antes de vir para Portugal, isto é, ainda em São Tomé, tive o privilégio de apresentar o programa jovem de músicas da televisão nacional (TVS clips), e sempre que alguns dos artistas acima referidos iam a São Tomé fazer espectáculos, eu os entrevistava no âmbito do programa e fui ficando com seus contactos. Já em Portugal, activei esses mesmos contactos e através destes, consegui outros. Mais tarde conheci Valdo Duarte, um dos maiores managers de artistas da nossa comunidade o que me possibilitou a entrada neste mundo. Reporter STP: Qual tem sido a reacção do teu público-alvo? Mário Neves: Muito positiva, as pessoas aderiram em massa. Reporter STP: Achas que este projecto poderia de alguma forma ser transportado para São Tomé e Príncipe? Mário Neves: Sem dúvidas, há quem viva disso, que tenha isso como profissão, por isso, vejo-me a desenvolvê-lo em São Tomé e Príncipe, uma vez que eu acredito que as nossas ilhas têm muito potencial nesta área, ainda não explorado. Reporter STP: No caso de o fazeres, já pensaste nos músicos das ilhas? Mário Neves: Sem dúvidas, acima de tudo é preciso valorizar os artistas nacionais, eu senti muita pena por não ter podido levar por exemplo o Juka para algumas das actividades que eu realizei, por motivos alheios a minha vontade, no entanto, sei que há muitos são-tomenses com talento e que devem ser aproveitados. Da mesma forma que existem esses cantores cá em Portugal, existem também cantores são-tomenses a espera de uma oportunidade para se mostrarem. Reporter STP: A pouco dizias que ponderas continuar esta actividade quando regressares ao país, mas uma vez estares a concluir teus estudos universitários, certamente quererás usar os conhecimentos obtidos para fazer outras coisas que não propriamente isto, certo? Mário Neves: Sim, o que me motiva nisto, são sobretudo outros propósitos que não o financeiro, o projecto circunscreve-se a diversão e sobretudo a unificação e fundação dos laços afectivos existente entre os povos da CPLP, mais concretamente dos PALOP, como já disse antes. Aqui em Portugal as pessoas vivem num stresse permanente, a maior parte das pessoas que estão em São Tomé e Príncipe ou Angola, Cabo Verde, Moçambique, Guiné-Bissau e Brasil, quando chegam cá sentem logo um choque cultural muito grande, pelo que pensei, porque não quebrar esse mesmo gelo com um ambiente que é nosso e que nos identifica? Entrevista conduzida por: Brany Cunha Lisboa Fonte: Jornal Reporter STP |





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