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Desabafo de um emigrante que decidiu regressar definitivamente à terra natal. Chama-se Fidélio Leitão. Vive um grande dilema, a tendência é regressar para a emigração, mas os sinais do mundo aconselham o emigrante a regressar rapidamente a sua terra. O Jovem emigrante de 34 anos deixou São Tomé há quase 10 anos, para buscar melhores condições de vida na Europa. Portugal foi o primeiro destino, onde viveu e trabalhou durante 7 anos. Saltou para o Reino Unido da Grã-Bretanha. Nottinghan foi a cidade de frio e trabalho duro que marcou a vida de Fidélio Leitão nos últimos anos. Fruto do trabalho árduo comprou uma viatura e enviou para São Tomé. No processo de desembarque o emigrante encontra grande barreira. «São barreiras que me deixaram desiludido com a minha terra. Não se admite que um imigrante luta, luta, no estrangeiro e quando regressa a sua terra, não pode levantar o seu carro por ter volante inglesa. Ainda mas quando outros carros com mesmo tipo de volante, ou seja, a direita chegaram no mesmo navio e imediatamente entraram em circulação no país» , reclamou o emigrante. Segundo Fidélio Leitão, só há duas semanas é que conseguiu levantar a sua viatura, graças a uma declaração emitida por escrito pelo Ministro das Infraestruturas, autorizando o levantamento da viatura. De facto em Outubro de 2011, o Ministro das Obras Públicas, Infraestruturas e Recursos Naturais, Carlos Vila Nova emitiu um despacho, aprovado em Conselho de Ministros, que proíbe a entrada no país de viaturas com volante à direita. No entanto a viatura do emigrante Fidélio Leitão deu entrada no país desde 31 de Julho de 2011, portanto cerca de três meses antes da entrada em vigor do despacho do ministro. Superado o bloqueio da sua viatura no porto de São Tomé, o emigrante depara-se com outro quebra cabeças. A onda de roubo e assaltos que tem aumentado no país, assolou a residência de Fidélio Leitão. Enquanto estava a trabalhar em Nottingham, conseguiu mesmo aqui em São Tomé outras duas viaturas e guardo-as no seu quintal. Quando regressou encontrou as viaturas em estado de sucata. Os assaltantes levaram todas as peças e acessórios. «Isso provoca desânimo. É um roubo que cheguei a pensar se é mesmo roubo ou se é maldade, não sei, só sei que tiraram farol, e o para brisas do Mercedes e outro carro de marca Audy», declarou. Desanimado, devido aos bloqueios que tem enfrentado e aos assaltos aos seus bens, o emigrante sente que o país também não tem espaço para realizar os seus sonhos. «Sinceramente não quero ser pessimista, mas a verdade, é que há certas e bloqueios que se enfrenta em que a tendência é mesmo regressar para a emigração», pontuou. Fidélio Leitão aproveita para alertar aos emigrantes, no sentido de terem cuidado na importação de viaturas, tendo em conta a nova lei governamental que proíbe determinadas características de viaturas. No entanto reconhece que a situação actual do mundo, marcada pela crise financeira, obriga os emigrantes a equacionarem o regresso a sua terra natal. Aumento do desemprego na Europa, deve segundo Fidélio Leitão orientar os emigrantes a transferirem a capacidade de trabalho adquirida na Europa, para fomentar o desenvolvimento de São Tomé e Príncipe. «É uma das coisas que eu tenho aconselhado os meus colegas da emigração. Trabalhamos como escravo no estrangeiro e quando chegamos a nossa terra, comportamos como doutores. Isto é mau e eu não gostaria que acontecesse com a malta São-tomense que regressa da emigração. Temos que acreditar, e trazer mesmo espírito de luta pela vida que temos na emigração, para a nossa terra», conclui. Abel Veiga Fonte: Jornal Digital Téla Nón |





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