Numa altura em que a Europa já deu os primeiros passos para pôr fim a “Era do Plástico” (desde 1950), com a nova lei que proíbe definitivamente a utilização de artigos de plástico descartáveis a partir de 2021, a pergunta que não quer calar é: “Qual é o plano de São Tomé e Príncipe?”
O ministro das Obras Públicas, Infra-estruturas Recursos Naturais e Ambiente, Osvaldo Abreu, disse que “São Tomé e Príncipe não tem outra opção senão acompanhar esta tendência.” Osvaldo Abreu defende que a ecologia e o ambiente devem ser a prioridade do país porque são fulcrais para a nossa sobrevivência.
O ministro citou o exemplo da Ilha do Príncipe na luta contra o plástico e garante que a Ilha de São Tomé vai seguir o mesmo caminho. Na Região Autónoma do Príncipe, na entrega de 50 garrafas de plástico, é oferecida uma garrafa da Biosfera.
Osvaldo Abreu afirmou que temos de agir para reduzir a invasão do plástico no nosso arquipélago: “É possível que seja 2021 ou 2022. Mas rapidamente temos de nos por a caminho para que não nos transformem no depósito daquilo que já não é utilizado noutros cantos. É uma referencia para nós esta meta – 2021.”
O plástico é usado em praticamente todos os objectos que fazem parte do nosso quotidiano. Desde às fibras da nossa roupa, telemóvel, computador , lata de refrigerante, garrafa de água, palhinhas, cotonetes, pratos, talheres, copos, aos sacos de plástico, que utilizamos para transportar as nossas compras ou outros objectos. Trata-se do plástico petroquímico.
Segundo a engenheira química, Sulisa Quaresma, o plástico petroquímico é um produto derivado de petróleo e devido a sua estabilidade estrutural, confere-lhe resistências para se decompor.
“Normalmente, demora cerca de 200 anos ou mais, o que prejudica o meio ambiente através do contacto de substâncias nocivas passando pela via da cadeia alimentar.”
De acordo ao Plano Nacional de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos Urbanos actualizado em Junho de 2018, São Tomé e Príncipe produz cerca de1485 toneladas de resíduos plásticos por ano. Um saco de plástico dura 200 anos a decompor-se. Já uma garrafa de plástico leva 450 anos.
Uma alternativa ao plástico petroquímico é o plástico biodegradável. Plásticos biodegradáveis são plásticos que não são produzidos através dos hidrocarbonetos de origem fóssil. A sua degradação é conduzida pela acção de microrganismos naturais tais como as bactérias, os fungos, e as algas, ou seja, capaz de se degradar naturalmente e sem impacto poluente no ambiente.
Não contêm os produtos químicos nocivos e os materiais existentes na produção dos plásticos convencionais. Não são derivados das resinas de fontes não renováveis – o petróleo, mas sim de fontes renováveis, tais como a celulose, amido, etc.
“O plástico biodegradável pode ser decomposto pelo meio ambiente (biologicamente) permanecendo pouco tempo, não excedendo 18 meses de acordo as normas internacionais e traz benefícios ambientais significativos,” – explicou Sulisa Quaresma.
A engenheira explicou ainda que o plástico biodegradável é mais caro porque a tecnologia ainda é utilizada em pequena escala, o que faz com que o custo de produção ainda seja alto.
“Mas a sua utilização depende muito da aplicabilidade da legislação em vigor, da aceitação por parte da população, da consciência ambiental e da demanda nacional pelos plásticos biodegradáveis.”
Sulisa Quaresma sublinhou que dado o carácter de degradação biológica em menos de 18 meses do plástico biodegradável e também por serem produzidos com resinas renováveis, poderá ser descartado em recipientes próprios com finalidade de aproveitamento na valorização orgânica. “Através da compostagem transformando-o num fertilizante 100% natural pronto a ser utilizado na agricultura”, acrescentou a engenheira.
Sulisa Quaresma deixou um alerta: “Acredito que deverá ser dada uma maior atenção a quantidade de plásticos, especialmente os sacos de plásticos que são descartados diariamente no meio ambiente e que acabam causando impactos negativos, poluindo os solos, os nossos rios e mares.”
A engenheira disse ainda que cada um de nós deve saber da sua responsabilidade e agir de forma activa na busca de soluções, através de uma maior conscientização.
“Ensinando a sociedade a ser mais sustentável através de acção conjunta com potencial único, que é transformador. É preciso o engajamento e o envolvimento de todas as classes sociais, o poder público, o privado e a sociedade civil”, concluiu.
A título de exemplo, já existem alternativas mais sustentáveis do que as palhinhas de plástico, um dos produtos do plástico petroquímico mais utilizados em São Tomé e Príncipe. Existem palhinhas de vidro, de trigo, de cereais, inox, de bambu, de papel, e as comestíveis.




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