
Caravana Africana é um grupo composto por 22 jovens, entre eles atores e encenadores que já levam treze anos de estrada no mundo das artes cénicas. Criaram uma campanha de sensibilização e de criação de consciência dos são-tomenses e o resto do mundo, contando histórias sobre as problemas que assolam a sociedade e os seus impactos nefastos e irreversíveis, como o paludismo, HIV SIDA e a gravidez precoce.
“Normalmente as peças que apresentamos sou eu que escrevo, mas algumas pegamos em alguns livros. As peças que escrevo estão relacionadas com tudo aquilo que passa na nossa sociedade e tento assim, retratar da melhor forma um pouco tudo de positivo e de negativo. Como jovens que somos, é também uma forma de querer mudar a nossa sociedade. Acredito que, paulatinamente, conseguiremos influenciar as pessoas com as nossas mensagens. Mas o importante é gostarmos do que fazemos, pois as pessoas precisam de sentir aquilo que queremos passar. Por isso que no grupo temos integrantes dos 16 anos aos 35 anos”, disse Mardgínia Pinto.
Mardgínia Pinto, fundadora da Caravana Africana, conta que o grupo surgiu depois de terem participado numa formação em Angolares, promovida pela Aliança Francesa. Após a formação, imbuídos pela magia das artes cénicas decidiram criar a Caravana Africana, que na altura estava composta por 10 integrantes que mais tarde foram ausentando-se do grupo em busca de outro sentido para a vida. E ao longo desses anos, o grupo foi sofrendo algumas transformações em termos de pessoal e ideologias. “Lembro-me de quando eu queria desistir. Ninguém aparecia nos ensaios. Isso durou quase um ano. Mesmo assim eu continuava lá sozinha na esperança do pessoal voltar. E o que as pessoas vão assistir no dia 25 de Junho, no Hotel Pestana, é uma “Caravana renovada”, revelou entre sorrisos.
Desde pequena, Mardgínia sempre gostou de cantar, representar tanto na Igreja como em outros lugares e nunca mais parou. Começou a trabalhar com os alunos da escola Atanásio Gomes, e de lá, foi chamada para fazer alguns trabalhos e passando assim a responsável do grupo cultural da escola.
Todos os integrantes deste grupo teatral anseiam formar-se fora do país, como forma de ampliar os horizontes. Mas a falta de oportunidade e a desvalorização do teatro e da própria cultura em si no país, serve de desafio para todos. Mas com o convite da ONG Galo Cantá para fazerem a abertura do TEDxSãoTomé 2016, os integrantes do grupo sentem-se desafiados pela positiva. “Desde que comecei a fazer teatro imaginava a Caravana Africana a fazer espetáculos pelo mundo fora. É verdade que às vezes perdemos a esperança, mas agora com este convite, finalmente poderemos mostrar o nosso trabalho acredito que o grupo vai longe e esperamos que o TEDx seja a chave certa para abrirmos a porta para o mundo”.
A peça que será apresentada já estava escrita antes do convite do TEDx a espera do momento certo para ser divulgada. Para o grupo é uma oportunidade para mostrar ao mundo quem são, mostrar as nossas riquezas, a nossa cultura e o lado acolhedor dos são-tomenses.
“Para nós da Caravana Africana, o TEDx é organizado por um grupo de pessoas com mente virada para mudanças, pois acreditam em pessoas, promovem projetos, grupos e disseminam ideias. E um exemplo disso é o convite que recebemos. Por isso que a organização deve continuar, de forma a dar cor a vida das pessoas e ao mundo”. Para o grande dia fica a promessa “faremos de tudo para levar o bom nome do país e da Caravana Africana aos quatro cantos do mundo”.
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Escrito por
Vivalda Prazeres |




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