
Bafatá Filme Clube é o primeiro filme de Silas Tiny, um jovem Santomense que deixou o país aos 5 anos de idade. Cinematografado em Bafatá, o filme retracta a vida do Canjajá Mané, um antigo operador de cinema do clube na altura do Império Colonial, que mesmo depois de fechado o clube, continuava a trabalhar sem telespectadores.
Em Bafatá região no centro-norte da Guiné-Bissau, Canjajá Mané repete os mesmos gestos há cinquenta anos com o cinema fechado e sem espectadores. Dos seus tempos como trabalhador do clube até aos nossos dias, restam apenas recordações. Na cidade, somente as pedras, árvores e o rio resistiram à erosão do tempo. E com eles, algumas pessoas, que ficaram para perpetuar na memória do mundo e dos homens, que ali já viveu gente. São essas pessoas por quem Canjajá procura e espera pacientemente até hoje.
Para Silas, o que levou-lhe a conceber este filme, foi justamente a necessidade de entender o que se pode fazer para manter sempre uma memória presente.
Interrogado pela a STP Digital sobre as dificuldades que existem no país para o consumo dos produtos cinematográficos bem como a sua valorização, o cineasta Santomense considera que “o cinema é uma arte difícil seja aqui em São Tomé, seja em Portugal ou de país qualquer. A questão é ter-mos vontade de fazer qualquer coisa, não só cinema, como outra coisa qualquer, não é imperativo toda gente fazer cinema, é bom saber o que é preciso fazer para passar alguma coisa com sentido, alguma coisa com valor, pode ser um cinema, pode ser um pescador ou outra coisa qualquer”.
O segundo filme de Silas Tiny será feito em São Tomé e Príncipe e possivelmente será desta feita as suas memórias e não mais do Canjajá Mané.




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